O Partido dos Trabalhadores informou que vai denunciar a jurista Janaína Paschoal, principal autora dos documentos que dão embasamento ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, por crime de tortura nesta madrugada de quarta para quinta na comissão do Senado que analisa o processo de impedimento da presidente da república.
Segundo a nota do partido, é um absurdo que em pleno século 2016 ainda exista pessoas que utilizam argumentos para torturar opositores. "Pessoas assim, que não são flexíveis e são intolerantes a uma negociação em propinas para mudar de opinião, fazem um mal à democracia", diz a nota que aponta 13 citações de Janaína para torturar o Governo. Confira:
“Ninguém fez nada diante do quadro dantesco de crimes a olhos nus. Se eu tivesse alguma dúvida do dolo ou do conhecimento da presidente sobre os fatos não teria apresentado a denúncia. Mas eu tenho convicção [dos crimes]”
“Pedaladas fiscais foram a maior fraude que eu já vi na vida. Faz 20 anos que advogo no crime e nunca vi nada igual”
“Foram anos de falsidade ideológica na nossa cara e ela é inocente?”
“Diante de um golpe dessa magnitude vou me omitir? Como vou dormir com isso sabendo que está cheio de gente humilde condenado por coisa pequena?”
“Quando ela sabe que não vai ter dinheiro, que ela contingencie despesas discricionárias, mas não queria parar de gastar em ano eleitoral ou no início do segundo mandato”
“Tem crimes de sobra de responsabilidade e tem crimes de sobra comuns”
“Nunca falam do Bolsa Empresário. Por que esse PSI encheu de dinheiro grandes empresários, bilionários? Fala-se que pedaladas foram feitas para pagar equalização dos juros. O governo mandou o BNDES distribuir nosso dinheiro a juros ridículos. Só que o BNDES, ao captar esse dinheiro, tinha que pagar juros elevadíssimos. Isso gerou empregou ou riqueza para o país? Pagamos para rico e bilionário ganhar dinheiro a nossas custas. Esse é o governo que se preocupa com o social”
“Enquanto tem gente assinando carta contra [o juiz] Sergio Moro, eu tenho lido as sentenças dele. No caso da Odebrecht, as contas bancárias das quais partiram as propinas pagas no âmbito do petrolão estão em Angola. Nosso dinheiro foi sob sigilo para Angola, para empresas representadas pelo ex-presidente, indissociável da atual presidente. O marqueteiro [João Santana], que está preso, foi prestar serviço em Angola, e o dinheiro da propina veio de Angola”
“Se a presidente não é alvo de inquérito devia ser”
“O dinheiro que foi mandado para as ditaduras pouco transparentes e amigas voltaram no petrolão”
“Não há civismo seletivo. Acho seletivo lutar por algumas ditaduras”
“O impeachment é um processo sério, dolorido e ninguém fica feliz de precisar pedir o impeachment de um presidente da República. Na época do Collor fui para a rua como cara pintada. Foi dolorido lá, está sendo dolorido aqui. Mas é um processo constitucional, não tem nada de exceção. É um remédio que o constituinte previu para situações em que ocorrem crimes graves”.
“Estão com uma moda aí de chamar eleições antecipadas. Não tem previsão constitucional. Isso, sim, é exceção. Não pode. Se a presidente tem que mandar uma PEC [proposta de emenda constitucional] é a prova de que não tem previsão constitucional”
